sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Retrospectiva da campanha eleitoral (2) - O que aconteceu a McCain?


“O poder muda uma pessoa”. De facto, creio que o poder, ou a sua busca, mudou McCain. Podemos perguntar-nos “A que ponto é que isto chegou?”.
A meu ver, McCain era uma pessoa que parecia simpática e amiga. Quase que era impossível uma pessoa não se sentir impressionado com a sua agradável figura. Parecia ser uma pessoa racional e de princípios. Recordo-me de um jornalista do “60 minutes” lhe ter perguntado, talvez há um ano, até que ponto é que McCain não prometeria aos americanos o que eles queriam ouvir (a propósito da proposta do candidato de não retirar as tropas do Iraque). McCain respondeu que não prometeria nada aos americanos que ele acreditasse ser contra o seu benefício, independentemente da opinião pública. Foi uma boa resposta. Pode discutir-se se será positivo ou negativo retirar imediatamente as tropas do Iraque, mas o facto de se dizer que não se deve tomar essa decisão, mesmo com toda a pressão da opinião pública, poderia parecer difícil, sincero e coerente. De alguma forma, esses atributos devem constar na personalidade de um presidente. Ele não deve ser demagógico, ao ponto de fazer promessas que soam a música aos ouvidos dos eleitores, mas explicar o seu ponto de vista, de forma clara e nunca tomar decisões influenciado pela opinião pública. Obviamente que isso não quer dizer que seja ditador e que não se interesse pelo seu povo, mas antes que demonstra a capacidade de liderar e de raciocinar, ao invés de se deixar levar pelas massas (muitas vezes influenciadas pelos “media”), tomando atitudes que poderiam vir a ser negativas no futuro. Tudo isto, para demonstrar uma taxa de popularidade aceitável.
O certo é que o ritmo da campanha aumenta, as críticas ao adversário também. Começa-se a criticar por criticar. Já não interessam as opiniões do outro candidato, que é considerado sempre como um adversário e, portanto, um alvo a abater. Se houver uma declaração do adversário, deve-se atacá-la e descontextualizá-la, produzindo anúncios publicitários e repetindo sempre a mesma coisa, como se isso se tornasse realidade (é o que acontece, por exemplo, com o caso Ayers). Esta posição acaba por ser má (e é esse o objectivo) para o povo americano que começa a ficar baralhado e não esclarecido, saturado da campanha e não interessado nos problemas nacionais. Assim, apesar dos apelos ao voto, muitas vezes, deseja-se que não haja tanta gente interessada em exercer esse seu direito e, assim, pode ser que os verdadeiros filiados votem e decidam os votos do Estado. ´
McCain começa a morrer moralmente. Os seus ataques são descabidos e contribuem para uma campanha muita suja (alguns já dizem que é a mais suja dos últimos anos). A campanha de Obama responde que Mccain está desesperado e que o ticket republicano não tem nada mais para oferecer além destes ataques. O que acontece ao candidato republicano é que, ao atacar a falta de carácter do seu adversário, com frases proferidas por Obama descontextualizadas, com encontros traduzidos em amizades, acaba ele próprio por demonstrar uma enorme falta de carácter, acaba por desrespeitar a América, acaba por faltar àquilo que devemos pedir que nunca nos falte: os valores que defendemos. O que se passa com McCain? Terá ele vendido todos os seus valores com esta campanha suja, hedionda? Claro! Porquê? Por nada, assim o espero. E espero que no dia 4 do próximo mês os eleitores decidam em consciência.

Verificação da realidade das promessas eleitorais dos candidatos


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Resposta de Obama ao "Plano McCain"

Neste vídeo da CBSnews, vemos o comentário de obama relativamente ao plano proposto por John McCain de o Estado comprar os empréstimos das famílias em dificuldades, com o pagamento dos empréstimos ao banco. Obama diz o óbvio: este plano beneficia as empresas financeiras de crédito que durante anos forneceram empréstimos de alto risco, a pessoas com incapacidade de pagamento dos mesmos.
McCain, muito demagogicamente (e infelizmente sabemos que a demagogia, por vezes, funciona nos sectores da sociedade menos esclarecidos, que podem coincidir com os que estão a passar por mais dificuldades), diz que Obama também deveria apoiar os americanos. Mas, faltava o ar de sua graça, a invocação de Ayers. McCain não aprende mesmo que isso só contribui para ficar visto de uma maneira ainda mais negativa.
De referir que o dito plano gastaria ao Estado cerca de 400 mil milhões de dólares, a 500 mil milhões, ao contrário dos 300 mil milhões que McCain referia.


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Retrospectiva da campanha eleitoral (1)

Nesta primeira restrospectiva farei um pequeno resumo do que se passou, desde que ficou definido (informalmente) que McCain e Obama seriam os candidatos à Casa Branca pelos seus partidos.
As campanhas políticas são, realmente, inesperadas.
A utopia deveria ser uma campanha onde os candidatos não se atacassem pessoalmente, mas discutissem as suas próprias ideias e não as ideias que mais lhes convinham. Após essa discussão, as pessoas ficariam elucidadas sobre a visão de cada candidato para a América e, de acordo com a sua visão, votariam num dos candidatos. É óbvio que não se pode agradar a gregos e a troianos e, muitas vezes, mesmo agradando a uns, o agrado não é a 100%. Há pontos em que se concorda e outros em que se discorda.
Não digo que após se ter percebido quem seriam os candidatos que se pensasse que esta utopia seria atingível (por algum motivo se trata de uma utopia...), mas pensei que poderíamos ter uma campanha diferente.
John McCain era um candidato que não era 100% republicano: acreditava na responsabilidade humana nas alterações ambientais, não era criacionista, muitas vezes tinha votado contra o seu partido (claro que o “bipartidarismo flexível” americano o permite).
Do outro lado tínhamos Obama: um “jovem” idealista, que transmitia ideias quase que apartidárias.
Contudo, seguem-se convenções e começa a haver uma pressão maior em cima dos candidatos: ambos desejam a Casa Branca. Para McCain esta é a sua última oportunidade, para Obama uma derrota fará com que tenha uma 2.ª oportunidade dentro de alguns mandatos.
O partido democrata estava dividido e, apesar de não acreditar que Hillary Clinton tenha ficado contente por não ter sido ela a escolhida (talvez a “aclamação” de Obama tenha sido uma maneira de evitar o seu “sofrimento” a verificar quantos votos tinha tido), não tinha outra alternativa se não apoiar Obama. O partido começa a ficar unido.
Biden, um antigo candidato à presidencia, é escolhido vice de Obama. Biden conseguia colmatar falhas apontadas ao senador do Illinois: tinha experiência e percebia de relações internacionais.
No caso do partido republicano, havia um apoio relativamente ao seu candidato, mas era um apoio muito inibido. Palin terá sido uma escolha pelo seu género. A verdade é que, pelo facto de ser desconhecida e reunir todos os valores republicanos, conseguir centrar todo o partido em redor de McCain. Posteriormente, as entrevistas dadas foram um desastre. Pior ainda, o facto de apenas ter concedido meia dúzia delas.
Estala a crise e o rumo da campanha mudou…

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

"The New York Times" critica o ticket republicano


O jornal nova iorquino criticou hoje o ticket republicano pelos comentários feitos por Sarah Palin, sugerindo ligações terroristas de Obama, com Ayers, quando o democrata tinha 8 anos de idade. Na verdade, a candidata distorceu a realidade, ao não referir a conclusão do artigo jornalístico: "Não há indícios que os dois tenham sido próximos".
O jornal critica duramente McCain, ao referir que é triste que ele tenha mudado a sua atitude política, aconchegando a ideia do "vencer a qualquer custo", passando por cima e de todos. Conclui-se que esta é a campanha mais suja de todas, onde as distorções e as frases tiradas do contexto chegam ao ponto da fronteira da xenofobia contra o adversário.
Conferir o artigo da CNN.

Críticas duras de Bardot, em relação a Palin


Já toda a gente sabe que o candidato democrata à Casa Branca reune o apoio de muitas celebridades americanas, apoios até de mais (como é o caso do apoio de Lindsay Lohan que Obama, por evidentes razões, preferiu não aceitar).
Também já toda a gente sabe que se os europeus votassem nas eleições americanas, há muito que Obama estaria eleito.
Ora, Brigitte Bardot é uma celebridade do cinema francês e decidiu escrever uma carta aberta, desejando que Palin perca as eleições. O mesmo é dizer que prefere que Obama vença as eleições.
De acordo com Bardot, Palin é "irresponsável", pelas opiniões que manifesta em relação ao ambiente, nomeadamente pela sua anterior recusa na participação humana nas altrações climáticas e pela sua defesa na perfuração do Alasca, de forma a retirar desse santuário ecológico petróleo. Bardot chega mesmo a dizer que "Palin é uma vergonha para as mulheres.".
De referir, apenas, que, nestes ponto polémicos, também McCain discorda da parceira de ticket que escolheu.

Fact Check

Existe nos EUA algo que poderia ser importado para Portugal no meio jornalístico: tenta-se descobrir até que ponto os candidatos dizem apenas a verdade. Trata-se de uma maneira de as pessoas ficarem esclarecidas e evitarem ser manipuladas pelos candidatos. Vejamos o caso de alguns pontos desta semana.
A reportagem é da CBSnews.

2.º Debate: opinião dos indecisos

Aconteceu ontem o 2.º debate presidencial. Segundo os analistas ambos os candidatos tiveram prestações bastante positivas, o que, para McCain, não era suficiente. De facto, analisando os 2 debates presidenciais que houve McCain perdeu muito terreno, pois se no 1.º era a sua especialidade que era discutida (assuntos internacionais), no 2.º debate, o modelo adoptado era o seu predilecto.
Uma vez mais, de acordo com as mais variadas sondagens, Obama venceu o debate. A CBS dava-lhe uma vantagem de 13 pontos percentuais, em relação a McCain (39-26).
No vídeo que se segue, da CBSnews, ouvimos os eleitores queixarem-se que este debate não veio trazer nada de novo relativamente àquilo que eles sabiam. Muitas vezes, ficaram com as mesmas dúvidas, relacionadas, por exemplo, com a saúde, ou o Iraque.
Recomendo a leitura destes 2 artigos da blogosfera:
Para assistir ao debate, clicar aqui.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

2.º Debate Presidencial

É hoje o 2.º debate presidencial. O modelo será diferente do 1.º. Neste caso são os eleitores indecisos que irão questionar os candidatos, por isso qualquer tema pode ser discutido. Além das questões presenciais também poderá haver questões de eleitores, através da utilização do e-mail.
Normalmente é McCain quem se dá melhor com este tipo de debates. Alguns analistas consideram que Obama adopta, por vezes, um estilo de resposta, como se estivesse a dar uma aula.
Para este debate, Obama tem de se manter calmo e não cometer erros, pois encontra-se à frente nas sondagens. McCain, por sua vez, terá de dar tudo por tudo.
A palavra-chave será "ouvir" bem as questões, raciocinar e responder convenientemente.
O debate durará 90 minutos e será transmitido a partir de cerca da 1:30 da madrugada na RTP N e na Sic Notícias.
Vídeo da CBSnews. Primeiro assistirá a um anúncio e, só depois à reportagem sobre os preparativos do debate.

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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

"60 minutes" - Para perceber melhor a crise

Neste excerto do programa "60 minutes" são convidados economistas que nos explicam por que motivo existe hoje uma crise nos EUA que já se espalhou e ameaça fazer muitos mais estragos do que os que já fez. Fica claro que um dos motivos foi a "desregulação" de Wall Street.
Nota: antes de assistir à peça verá um anúncio publicitário.


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