Mostrar mensagens com a etiqueta Eleições América 2008. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eleições América 2008. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

CBS: Análise histórica dos Afro-americanos

Maya Angelou é uma escritora que foi entrevista por Harry Smith. É conhecida por ter escrito contos, onde dava a conhecer a discriminação a que os afro-americanos estiveram sujeitos durante muitos anos. A escritora falará após uma reportagem. Ela elogia Obama, dizendo que é inteligente; refere que está muito orgulhosa do seu país que está crescer e elegeu um presidente negro.



Watch CBS Videos Online

Discurso de vitória de Obama: análise

"Dream", "hope", "yes, we can" foram palavras/expressões que dominaram toda a campanha de Barack Obama. No discurso final também marcaram presença, tal como muitas celebridades, como Oprah Winfrey.


Watch CBS Videos Online

Obama começa por dizer que será o Presidente dos Estados UNIDOS da América. Existe uma desmistificação de diferentes Américas. Não há a América dos brancos, negros, indígenas, etc. A América está toda unida e irá mudar.
Também Obama elogia McCain: é um homem que ama o seu país e fez sacrifícios que ninguém pode imaginar. Por isso, Obama espera vir a trabalhar com o candidato republicano.
Obama começa com os agradecimentos mais cedo, dizendo que ama Michelle, elogiando Biden e mostrando-se grato pelo empenho de todas as pessoas que fizeram parte da sua campanha.
A vitória democrata é uma vitória para todos os americanos, na luta contra as guerras e a crise. Barack Obama lembra que, no momento em que estava a falar, no momento em que estou a escrever e no momento que o leitor estiver a ler, há soldados no Afeganistão e no Iraque, a defender a América. Há, então, novos desafios para o país: promover a paz, fazer investimentos a nível de educação, resolver a questão energética, etc. Segundo o Presidente eleito (que tomará posse em Janeiro) estes são problemas graves que não serão resolvidos apenas num ano, ou num mandato. Além disso, o Governo não poderá resolver todos os problemas, mas Obama compromete-se a ouvir as pessoas, principalmente nos pontos de discórdia. Haverá, assim, uma "reconstrução" da América, no patriotismo, sacrifício e responsabilidade.
Citando o presidente republicano Lincoln, Obama referiu que a América deve ir no caminho do progresso, aprendendo com esta crise: "quando Wall Street está bem e Main Street [a economia real] está mal, algo está errado.".
Obama encoraja o povo americano, referindo os valores que os guiam: democracia, paz, esperança e liberdade.
De modo a fazer a ligação passado-presente, Obama dá o exemplo de uma mulher, Ann Nixon Cooper, uma afro-americana de 106 anos que votou nestas eleições, mas que, durante grande parte da sua vida foi privada desse direito, por ser mulher e por ser afro-americana. Houve mudanças. Irá haver mais mudanças, porque se acredita que podemos concretizá-las ("yes, we can"). Muito mudou o Mundo desde o nascimento dessa senhora, houve muito progresso, em tecnologia e ideais: criação de aviões, chegada do homem à lua, destruição do muro de Berlim. Também estas eleições foram históricas, tal como, assim espera o Mundo, o legado de Obama. O objectivo do Presidente Obama será abrir portas de oportunidades, para os descendentes.
Obama termina o discurso com uma palavra de esperança.
Também este foi um bom discurso (embora seja mais difícil fazer um bom discurso de derrota), resumindo os pontos da campanha de Obama e os valores que defendeu e pretende aplicar na América: sonho de prosperidade, esperança, segurança,...
Agora, já eleito, Obama terá de tentar corresponder às expectativas das pessoas, principalmente na resolução dos problemas económicos, pelos quais o país passa. A Administração Bush, disse já que, nesta passagem de testemunho, estará disponível para cooperar com o novo presidente. Bush terá já convidado Obama a instalar-se na Casa Branca.
Reacções à vitória de Obama na CBS e na CNN.

Discurso de derrota de McCain: análise

Jonh McCain mostrou toda a sua classe no discurso de derrota. Admitiu que perdeu, desejou felicidades ao Presidente Obama e mostrou-se disponível para ajudar.
Após uma campanha em que o tema da discriminação racial não esteve em cima da mesa, McCain referiu, igualmente, que a América já ultrapassou a sua fase racista.


Watch CBS Videos Online

Ontem, em Phoenix, Arizona, McCain discursou brilhantemente e mostrou os valores que possui. De facto, como havia reflectido antes, parecia-me que McCain estava a esquecer muitos valores que não se devem esquecer, todavia, durante a noite passada, num discurso que me pareceu sincero posso dizer que McCain este ao seu melhor nível. Começou por referir que a América tinha-se pronunciado claramente, ao eleger um presidente para o país que ambos amavam. O seguimento do discurso pode dividir-se em 3 parte, mais os agradecimentos.
Na primeira parte, McCain elogia Obama, referindo que o Senador de Illinois inspirou homens e mulheres na América e, por isso, McCain admira-o.
Numa segunda parte, o candidato republicano caracteriza estas eleições como sendo históricas. McCain reflecte sobre a mudança que se operou na América: pela 1.ª vez um afro-americano foi eleito americano. Os tempos mudaram e todas as pessoas são cidadãos.
No seguimento deste raciocínio, McCain diz que lamenta que a avó e a mãe de Obama não tenham sobrevivido para o verem e se sentirem orgulhosas dele.
Segue-se a 3.ª parte que tem que ver com os desafios que Obama terá de enfrentar na Casa Branca. McCain alerta para os tempos difíceis que aí vêm e mostra-se disponível para cooperar com a Administração Obama. Incita os seus apoiantes para fazerem o mesmo: é necessária a união dos americanos, para restaurar a prosperidade e a segurança dos EUA.
Finalmente, nos agradecimentos, McCain agradece o apoio, afirmando que a derrota é sua e não dos apoiantes (pessoalmente considero a derrota do GOP - "Great Old Party", embora, evidentemente, McCain não o devesse dizer em público). Finalmente agradece a Palin, e à sua família. O Senador do Arizona diz que Palin terá um futuro promissor, reformando e combatendo a corrupção.
Ao encerrar o seu discurso, John McCain diz que Obama e Biden terão a honra de guiar a América, país que McCain continua a amar e que não se irá render às vissicitudes. Segundo o candidato republicano, não há espaço para arrependimentos, nem indagações sobre "O que é que aconteceria se eu tivesse feito isto ou aquilo na campanha?".
Apreciei bastante o discurso de McCain. Vale a pena vê-lo. No início da reportagem da CBS, nos primeiros 10 segundos, não se ouve uito bem, mas depois o audio fica perfeito.

"O efeito Palin"

Sarah Palin foi uma escolha arriscada. McCain te-la-á escolhido como sua "running mate" por 2 motivos: para unir a base conservadora do seu partido que não o apoiava convictamente e para tentar que algumas mulheres votassem no ticket republicano. Parece-me exagerado dizer que McCain perdeu devido a esta escolha arriscada, mas, segundo uma sondagem da CBS, Palin terá contribuído para que algumas pessoas votassem em Obama.



Watch CBS Videos Online

Parece-me exagerado dizer que McCain terá perdido devido a Palin, pois o assunto que mais dominava a agenda mediática, a partir de finais de Setembro, foi a crise de Wall Street. As pessoas começaram a ficar preocupadas e consideraram que deveriam votar em alguém que apresentasse, em seu entender, as melhores propostas a nível económico. No entanto, existiu um efeito negativo da escolha de Palin.
Após a escolha de McCain, Palin gerou um interesse súbito: ninguém conhecia a Governadora, com mais de 80% de popularidade, do pequeno estado de 8000 habitantes, do Alasca. Sarah Palin fez bons discursos, mas revelou-se incapaz de responder convenientemente às questões feitas por entrevistadores, nomeadamente por Katie Couric, da CBS. Quando a campanha republicana a deixou livre para responder a questões dos jornalistas, já era tarde!
Assim, a CBS conlui que 46% dos republicanos moderados admitem que Palin foi um factor a ter em conta no seu voto (21% dos republicanos moderados terão votado em Obama). Nos independentes, a percentagem de inquiridos que admitem ter votado em Obama, devido à escolhade Palin, foi 58. Neste contexto conclui-se que a Governadora do Alasca terá provocado algumas perdas para o seu ticket.

44.º Presidente dos EUA: Barack Obama


A CNN apresenta-nos estes resultados das eleições de 2008. Barack Obama será o 44.º Presidente dos EUA. Dos estados que ainda estão a processar os resultados, Carolina do Norte, Indiana e Missuri, Obama está a liderar nos 2 primeiros, sendo que McCain lidera no Missuri.
Como se pode ver na reportagem da CBS, este é um momento histórico na história do país. As pessoas estão muito entusiamadas. Obama, após vencer Hillary Clinton nas primarias e ter conseguido a nomeação democrata, derrotou McCain.



Watch CBS Videos Online

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Fidel Castro elogia Obama


Fidel Castro, com 82 anos, anunciou, numa entrevista que espera que Obama vença as eleições. Declarou, também, que só agora fez estes elogios, para que eles não se tornassem num tema de campanha.
Fidel Castro afirmou que com McCain o mundo estaria em guerra. Além disso, caracterizou McCain como sendo um "velho" e "belicoso". De acordo com Fidel, Obama é mais inteligente e culto. As propostas de Obama, em relação a Cuba são mais vantajosas que as de McCain.

4 de Novembro de 2008

Creio que será uma data a fixar.
Obama votou em Chicago, Illinois.
Biden, em Dellaware, na Pennsylvania.
McCain, em Phoenix, no Arizona.
Palin em Wasilla, no Alasca.
Após a votação, Palin referiu, a propósito do caso Troopergate (Palin alegadamente teria ordenado o despedimento do seu ex-cunhado, que entrara em divórcio litigioso e pretendia a guarda dos filhos) que sempre fez o melhor pelo povo do Alasca e para manter a trabalhar as melhores pessoas para servir o Alasca (entretanto chegou-se à conclusão que Palin não terá agido de maneira errada).

Ficam as fotos da votação (Imagens The Huffington Post*):

*A foto de Sarah Palin foi retirada da CNN.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Madelyn Dunham 1922-2008


Faleceu, hoje, vítima de cancro a avó materna que criou Obama.

domingo, 2 de novembro de 2008

Comediante canadiano fez-se passar por Sarkozy e enganou Palin

Palin foi enganada por um comediante canadiano (Sebastien Trudel) que se fez passar pelo Presidente Nicholas Sarkozy.
O programa na rádio canadiana, chamado "Vingadores Mascarados", já fez deste género de chamadas para o próprio Sarkozy, Chirac e ainda Britney Spears.
Sebastien Trudel telefonou para Palin e teve uma conversa com ela, num inglês, com uma pronúncia francesa muito carregada. Creio que este comediante estava literalmente a "gozar com a cara de Palin". Acho que também é um pouco passar dos limites. "Sarkozy" (Sebastien Trudel ) até afirmou que Carla Bruni a queria conhecer e que ele também era perito em negócios estrangeiros, por ver a Bélgica de casa. Palin, de certeza, a certa altura, ter-se-á sentido desorientada.
A candidata afirmou que ela e McCain gostavam muito de Sarkozy e que daqui a 8 anos podia candidatar-se. Palin mostrou-se igualmente confiante numa vitória.
A chamada telefónica pode ser ouvida em baixo.

"American Stories, American Solutions: 30 Minute Special" - Análise ao documentário de Obama

Como prometido, fica aqui uma análise ao documentário de Obama.

Este documentário foi eficaz: dirigiu-se ao americano comum, apresentou as propostas de Obama, nas questões energética, económica, internacional e de sistema de saúde. Além disso, houve uma pequena biografia de Obama, o que permitiu à classe média a sua identificação com Obama.
Nunca se dirigiu ao adversário e, assim, centrou-se nas suas medidas.

Imagem retirada do documentário de Obama

O documentário de Obama está bem conseguido. O candidato não refere as medidas propostas pelo adversário e não faz campanha negativa. De facto, todo o documentário se centra nas medidas de uma eventual administração Obama.
Logo no início, existe uma noção que Obama conhece o país e as reais dificuldades dos americanos. O candidato democrata diz que viajou, com Michelle, pela América e conseguiu aperceber-se das dificuldades por que passam os americanos todos os dias. A partir desse momento, desenvolvem-se exemplos de dificuldades do americano comum. Exemplifica-se pelas dificuldades de uma mãe, que comprou uma casa e as prestações ficam mais difíceis de pagar. São proferidas palavras de esperança pelo Senador do Illinois, retiradas de debates realizados com McCain ou da aceitação da nomeação democrata, em Denver. Obama diz que as boas ideias e o trabalho devem ser premiados. Assim, como proposta para melhorar a vida desta mãe, existe a redução de impostos. A sua medida é apoiada por Governadores de Ohio (terra de “Joe, the Plumber”), Kansas e Massachusetts. O Governador de Ohio afirma que Obama pretende reduzir os impostos a quem necessita.
Um outro exemplo que se segue tem que ver com um casal afro-americano que se aposentou e os medicamentos que consome não são comparticipados. Obama diz que os reformados merecem o respeito de todos, pois o que recebem ganharam-no, enquanto trabalharam.
A enumeração dos problemas do país continua com a questão energética e aposta de Obama nas energias renováveis. O Iraque também chega à conversa e Obama diz que não se pode aceitar que os gastos com o país sejam tão excessivos. Segundo Obama, o dinheiro seria melhor aproveitado se fosse investido em hospitais, escolas, etc.
O voto dos latinos é igualmente importante. A 3.ª história é de uma mulher latina que tem 2 empregos. Fala-se da Reforma educativa.
Posteriormente começa a dar-se a conhecer o homem Obama, moldado a partir da ausência do seu pai, marcado pela morte da mãe. O exemplo dos seus avós também é dado, como defensores da liberdade, na 2.ª guerra mundial. Ao mesmo tempo, foram-lhe transmitidos os valores americanos. De seguida fala Michelle Obama e são mostradas imagens de família, em que Barack é mostrado como pai presente. São feitos elogios a Obama, por parte de Senadores.
Finalmente justifica-se a escolha de Biden, como um homem que é perito em relações internacionais e que não esquece as suas raízes humildes.
O documentário acaba com palavras de esperança e de trabalho e empenho. No entanto, a meu ver é deixada uma boa advertência: Obama não é perfeito, não será um presidente perfeito, mas ouvirá os americanos e será honesto.

Opinião pessoal sobre o documentário:
O documentário está bem conseguido. Existe uma tentativa de mostrar quem é o homem que se candidata à presidência dos EUA: o seu passado, as suas dificuldades, …
Ao mesmo tempo, existe uma aproximação ao americano comum e à classe média; existe uma aproximação à classe trabalhadora e às dificuldades por que passam. Esta aproximação, dada através de exemplos é bem conseguida.
O documentário está, também, muito bom nos pormenores: Obama fala para a câmara, como se estivesse a falar directamente para o telespectador, a música que acompanha as histórias dá um sinal de esperança e mudança, que serão, evidentemente, encarnadas no candidato democrata. Algo que considero positivo é o afastamento total do adversário. Durante os quase 30 minutos não se refere uma única vez o nome de McCain, Palin, ou outro qualquer personagem da campanha republicana.
Além disso, de modo a conferir credibilidade às propostas democratas, existe uma aprovação por parte de Governadores.
A meu ver, apesar das quantidades exorbitantes que se gastaram neste documentário, ele esteve muito bem estruturado em todos os pontos: deu a conhecer as propostas para ultrapassar as dificuldades que os americanos enfrentam. Porém, penso que um erro da campanha de Obama é este constante elogio e exaltação à mudança e à esperança. Creio que as expectativas das pessoas, em relação a Obama estão muito elevadas e medidas de uma Administração Obama que não vão na direcção da resolução dos problemas da classe média poderão ser mal aceites. Quando se espera muito de alguém, a probabilidade de se sair decepcionado é maior, pelo que, caso Obama seja presidente, terá de cumprir o que prometeu.

McCain no "Saturday Night Live"

Depois de Sarah Palin, foi a vez de McCain ir ao "Saturday Night Live". Aí, fez uma aparição com Tina Fey (atriz que satiriza a candidata a vice-presidente republicana). Ambos tentaram vender produtos relacionados com a campanha: facas McCain-Palin, ou champô, ou bonecos "Joe, the Pumbler", ou Joe Biden, ou mesmo joias (estas últimas vendidas por Cindy McCain).
No final, "Palin" (Tina Fey) aparece, dando a entender que McCain irá perder as eleições, por isso, a partir de 5 de Novembro estarão à venda t-shirts "PALIN 2012".
Existe mais um vídeo e o último são os bastidores.





sábado, 1 de novembro de 2008

Curtas: tia de Obama e comício de Palin

1) Uma tia paterna de Barack Obama, Zeituni Onyango, vive, há 4 anos, ilegalmente, nos EUA. Pediu asilo político mas, há 4 anos, foi-lhe negado por um juiz. Apesar disso, continuou a viver numa casa governamental.
Acontece que esta tia de Obama contribuiu para a campanha democrata com 265 dólares. Apenas cidadãos americanos podem contribuir. A campanha decidiu devolver o dinheiro, dizendo que o
“timing” da notícia foi suspeito (a 3 dias da eleição, quando Obama está à frente nas sondagens).

2)
A propósito da "campanha negativa" de McCain,
Biden afirmou que nunca pensou que McCain o fizesse.

3) McCain foi "retirado" do ticket, por alguns apoiantes de Palin. Como se pode ver na
imagem aqui, os apoiantes da “running mate” de McCain, usaram cartazes como “Florida is Palin Country”. O nome de McCain não constava dos cartazes.

Informação CNN

Retrospectiva da Campanha (3) - Ponto de Situação

Esta sondagem da CNN mostra que, à partida Obama terá cerca de 203 votos eleitorais "definitivos", mais 88, de estados que ainda não estão seguros. Assim, a previsão da CNN é uma vitória de Obama, se as eleições fossem até hoje, com cerca de 291 votos eleitorais.
Muito tempo passou desde o anúncio de candidatura de ambos os candidatos (republicano e democrata). Muito provavelmente, há 2 anos, ninguém esperava que Obama, com a sua intenção de mudar Washington conseguisse a nomeação democrata. De facto, todos apontavam para a experiente Hillary Clinton que, depois, se viu forçada a apoiar Obama e fazer campanha por ele. Na verdade, creio que as dívidas que contraiu devido à sua campanha são as grandes responsáveis por hoje Obama ter Bill e Hillary a fazerem campanha por ele.
Do lado republicano, a certa altura, também ninguém acreditava que McCain conseguiria a nomeação. A sua campanha estava a actuar à "maneira Bush", sem cuidado nenhum nos gastos que ia fazendo. Para manterem em funcionamento o "Straight Talk Express" (autocarro que ia em direcção às pessoas, para lhes dar a conhecer o programa eleitoral) gastavam 10 mil dólares por dia. O autocarro estava equipado com tudo e mais alguma coisa, incluindo plasmas. Resultado: a certa altura já quase não tinham dinheiro. McCain conseguiu recuperar e conseguir a nomeação. Esta foi mais uma prova, além do escândalo de Keating, que McCain conseguia sobreviver aos momentos mais adversos. Apesar disso, houve um erro de cálculo de McCain. O sendador do Arizona desejava ser Presidente dos EUA. Em 2000 perdera a nomeação para Bush e, desde então, apoiara a maioria das medidas do executivo. Via-se como o sucessor de Bush. Neste contexto, a estratégia democrata de comparar McCain a Bush é bem conseguida. O erro de McCain residiu, a meu ver, precisamente na premissa que Bush seria um Presidente amado ou que, de alguma forma, deixaria saudades. Assim, seria necessário haver alguém que fosse como Bush, para o substituir.
O que os americanos desejam, porém, não é mais do mesmo. Bush apresenta uma taxa de aprovação muito baixa. A maioria dos americanos não gostou deste últimos 8 anos e, desse modo, a necessidade de mudança veio com Obama. Será, no entanto, legítimo questionarmo-nos sobre o motivo pelo qual Kerry não foi eleito em 2004. Na verdade, o candidato democrata liderava as sondagens até haver o que muitos designam de "surpresa de Outubro". É quase como que algo que tem de acontecer sempre e que muda a intenção de voto dos eleitores. Disperções à parte, bin Laden divulgou um vídeo, em que dizia que a segurança dos americanos estaria nas suas mãos. Ora, a segurança nacional, que não era o ponto-chave da campanha, passou, subitamente, a ser. Bush vence.
Já não é possível uma "surpresa de Outubro". Se "tem de haver" surpresas em Outubro em todas as eleições presidenciais, essa "surpresa" foi a crise financeira. Foi a partir desse momento que Obama passou a liderar mais confortavelmente as sondagens.
Neste momento, a campanha democrata está a viver um sentimento de sucesso: Obama lidera, por larga margem nas sondagens e a perspectiva de o partido liderar no Congresso, por uma margem superior à das eleições intercalares de 2006 é bastante superior. Com todo o financiamento da campanha democrata, o senador do Illinois, dá-se ao luxo de investir em praticamente todos os estados, incluindo os tradicionalmente republicanos ou mesmo o estado dos seu adversário, o Arizona. McCain, por consequência, vê-se obrigado a defender as hostes republicanas ficando, por isso, com menos dinheiro para investir em publicidade nos estados que tanto podem ser azuis, como vermelhos.
Este facto não impede o Senador do Arizona, habituado a algumas vicissitudes (como sejam o facto de, perante a falta de financiamento da sua campanha nas primárias, ter tido de viajar em classe económica) de fazer campanha em estados que espera vencer: Ohio e Pennsylvania. Para se ter uma noção do quanto estes estados são importantes para os republicanos, repare-se que, nos últimos dias, McCain e Palin estiveram em campanha nestes 2 estados cerca de 24 vezes! O ticket democrata ficou-se pelas 7. McCain diz que os resultados se fazem sentir nas sondagens, com uma aproximação ao Senador de Illinois. Neste contexto de final de campanha é necessário repetir as ideias, frisá-las, uma vez mais, não vá o adversário confundir os eleitores. Com efeito, McCain diz que tanto Obama, como ele próprio discordam de Bush, mas Obama pretende aumentar os impostos e McCain reduzi-los. Obama responde que ninguém verá um aumento dos seus impostos, a não ser que tenha rendimentos, por ano, superiores a 250 mil dólares.
Além da reiteração da mensagem é necessário encontrar apoiantes convictos (conhecidos ou não). Ambos podem ajudar: os primeiros indo a comícios, pedindo pelo voto dos eleitores (acontece, no caso democrata, com Hillary Clinton, Bill Clinton ou Al Gore e, no caso republicano e mais recentemente com Schwarzenegger, em campanha com McCain no Ohio); os segundos, nas sedes de campanha de cada estado ligam para casa das pessoas e bendizem o candidato que apoiam, apontando farpas ao adversário. Ao mesmo tempo, o apoio dos jornais também se revela de extrema utilidade e, às vezes, quando o apoio é de pessoas ligadas ao campo adversário, o dia até é melhor passado (Colin Powell apoia Obama, mas para o caso de não chegar, para que as pessoas fiquem convencidas, há muitas celebridades que também o apoiam, desde algumas bem tidas em conta, como Oprah, até outras, cujo apoio é de desconfiar, caso de Lohan).
Assim, neste últimos dias, o que mais interessará será mesmo a questão económica, com Obama a liderar. Penso que é cedo para os democratas festejarem e será bom que não deitem os foguetes antes da festa, mas, a meu ver, esta eleição ficará na nossa memória, como o embate entre os homens que ninguém esperava que conseguissem a nomeção: o que renasce das cinzas e o que supera as espectativas. Vamos ver como ficará marcado o legado do vencedor na Casa Branca.

Recomendo a visualização da reportagem da CBSnews.


Watch CBS Videos Online

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Apenas uma nota

Durante este fim-de-semana, farei uma análise do documentário de Obama, bem como do ritmo final de cada uma das campanhas eleitorais.

Uptades

O programa da RTP pode ser visionado aqui.
O "documentário" de Obama, passado em diversas televisões americanas pode ser visto a seguir. Na maioria dos canais, este programa obteve mais audiência, comparativamente com o programa da semana anterior.


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

"A caminho da Casa Branca": Informação Especial RTP


Hoje, às 21 horas!

«De 4 em 4 anos a América escolhe um novo inquilino para Casa Branca. O homem que vai ocupar o cargo político mais poderoso do mundo.John McCain e Barack Obama estão em campanha há praticamente dois anos. Uma verdadeira maratona que permitiu aos eleitores conhecerem as propostas políticas e o percurso pessoal dos candidatos: da experiencia limite de McCain no Vietname às raízes africanas de Obama”.O próximo Presidente vai enfrentar enormes desafios e as suas decisões terão um impacto global.Por isso a eleição de 2008 foi seguida com tanto interesse tanto pelos cidadãos americanos como no mundo inteiro.Os Estados Unidos têm duas frentes de guerra no Iraque e no Afeganistão, e testes diplomáticos difíceis com a Rússia, a China e o Irão.No plano económico, enfrenta a ameaça de uma recessão.Em Novembro de eleitores irão fazer história. Ou escolhem o primeiro Presidente negro ou, pela primeira vez, uma mulher como vice-presidente.A nova administração entra em funções a 20 de Janeiro de 2009. Depois de dois mandatos de George Bush,a América espera que o novo Presidente, seja Obama ou McCain, traga uma nova agenda para a América.A reportagem conta o perfil dos candidatos, mostra os momentos mais importantes da campanha e analisa os maiores desafios que o novo Presidente vai enfrentar.»

Ponto de Situação: Sondagens

E, por falar em sondagens, fica aqui um ponto de situação feito pela CBS.


Watch CBS Videos Online

McCain: "Ignorem as sondagens!"

John McCain está atrás nas sondagens nacionais há muito tempo e, por isso, cada vez McCain deve pensar que precisa de um milagre para entrar na Casa Branca a 21 de Janeiro. Há algum tempo atrás havia sido referido que era sugerido a Palin que não visualizasse as notícias, de modo a não ficar "deprimida". Creio, por isso, que a campanha de McCain está sem rumo.


Watch CBS Videos Online

McCain precisa de vencer na Pennsylvania, de modo a concretizar o cada vez mais difícil objectivo que é vencer as eleições, daqui a menos de uma semana. Com efeito, o candidato tem passado aí muitos dias da sua campanha, durante as 2 últimas semanas. Já Obama esteve no Estado 2 dias, acompanhado de Bill Clinton.
Entretanto, no GOP ("Great Old Party" - Partido Republicano) já se começa a pensar no que se seguirá a seguir às eleições. Pode dizer-se que o partido se está a consciencializar que uma vitória é extremamente difícil. Também se começa a pensar num destino para Palin que, provavelmente, quererá candidatar-se em 2012, segundo alguns assessores de McCain. Se assim for, Palin não poderá parar durante estes próximos 4 anos.
O desespero de McCain também se faz sentir nos ataques negativos que faz a Obama. Muitos deles não correspondem à verdade, como a sugestão do socialismo.

Too many ad's!


Barack Obama irá hoje à noite gastar boa parte do dinheiro que tinha disponível, com documentários de 30 minutos nalguns dos maiores canais americanos: CBS, NBC, MSNBC, Fox, BET, TV One e Univision (este último é um canal hispânico). Estima-se que o custo desta mega-campanha de markting deverá rondar os 3,5 a 5 milhões de dólares.
A CNN e a ABC não aceitaram a oferta de, durante os 30 minutos passarem spots publicitários, em forma de documentários, elaborados pela campanha de Obama. Para a CNN, é melhor continuar com a programação definida, cumprindo o papel informador da campanha.
A campanha republicana critica o gasto excessivo da campanha democrata e atacou já com um anúncio de 30 segundos. Nesse anúncio a campanha republicana acusa o democrata de ter pouca experiência para resolver a questão económica e diz que Obama "faz discursos bons", mas na prática não concretiza. Além disso, houve igualmente um crítica pelo facto de um jogo de baseball, com transmissão em directo na FOX ter sido adiado 15 minutos, para que o anúncio de Obama pudesse passar na estação televisiva.
O milionário independente Ross Perot foi o único candidato que fez algo do género, em 1992, embora não tivesse sido num tempo tão próximo da eleição. Importa, também, referir que há 16 anos os media não estavam desenvolvidos o suficiente para haver canais por cabo.
Até este momento Obama já gastou 205 milhões de dólares em anúncio televisivos e McCain despendeu 119 milhões, consideravelmente menos.
Para hoje à noite a estratégia de Obama terá que ver com a "publicidade" gratuita de amanhã, nos espaços noticiosos, fazendo referência ao seu "documentário".
Esta será uma prova do que o dinheiro pode fazer numa campanha.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Finaciamento da Campanha

Nesta reportagem da CBSnews, percebemos quais são as proporções de financiamento da campanha de Obama. Na verdade, Obama é o político que mais dinheiro arrecadou desde sempre: cerca de 603 mil milhões de dólares, quase o dobro de McCain, que se fica pelos 358 mil milhões.
Segundo Obama, 90% das suas contribuições são de pequenos dadores. E, de facto, os candidatos apresentaram listas, contudo, dado que aparecem muitos "anónimos" na lista coloca-se a questão da transparência.
Quanto à questão das empresas, a Golden Sachs contribuiu com 740 mil dólares para a campanha democrata e 220 mil para a campanha republicana; citibank, Lehman Brothers e JP Morgan Chase são outras empresas que contribuiram mais para a campanha democrata, do que para a republicana. Nalguns casos, a contribuição destas empresas para Obama é cerca de 2 vezes aquela que foi para McCain.
Entretanto, os democratas sentem-se mais optimistas e investem em Estados que deram a eleição a Bush, há 4 anos e os republicanos sentem-se obrigados a defendê-los, o que pode demonstrar um certo desespero.